quarta-feira, 3 de novembro de 2010

90km a solo...


A subida à Cabeça da Azinha à já algum tempo que me andava a dar um certo desconforto no estomago, aquela sensação de ter borboletas na barriga... No sabado enviei sms aos colegas e amigos, mas... ninguem se mostrou disponivél para alinhar nesta pequena aventura. Como as previsoes metereologicas para 2ªfeira 1 Novembro eram já bem mais animadoras, decidi ir sozinho.

Tudo preparado na noite anterior, e na manhã de 2ªfeira ainda esperei até às 10h00 para ver se haveria algum companheiro para alinhar, mas não, e às 10h eu e a "Flausina" lá fomos em direcção ao Teixoso para tomar o trilho no local habitual rumo a Verdelhos. Espetaculo estava o terreno depois da tempestade de domingo, o ar muito fresco permitiu alimentar a vontade enorme que tinha de cumprir esta missão: chegar à Cabeça Azinha! Aproveitei o track do dia 2 do Geo Raid e ainda antes de chegar a Verdelhos entrei na Rota desse track que vinha da descida da Fonte Serra e eu vinha da Fonte dos Amieiros.




Passei Verdelhos, e tomei o trilho ao lado da Ribeira de Bejames em direcção a Vale Amoreira, indo sair ao Alcatrao para acabar de passar a Serra da Comenda até à ponte de Vale de Amoreira, e aqui sim começava a doer, pois até ao Fragusto nada mais havia senão subir, subir, subir...
Mas digo-vos é lindo, lindo, lindo o que os nossos olhos podem contemplar enquanto tentamos encontrar a cadência que nos permita confortavelmente e em harmonia disfrutar de tão bela paisagemChegado à Quinta do Fragusto foi tempo de atestar as minhas energias,com a floresta do fragusto como pano de fundo,é unica aquela floresta sem duvida.




Como estava muito bem decidi desde logo que depois da subida à Cabeça da Azinha continuaria até Manteigas. Nem imaginam a quantidade de castanhas que há pelo chão... e tão cara que ela esta!!! Rumo à cabeça da Azinha um novo elemento juntou-se à minha aventura O Vento obrigando a uma paragem forçada para adaptar o vestuário a este novo elemento, e por vezes era mesmo obrigado a desmultiplicar os andamentos tal era a intensidade das rajadas sorte que não eram constantes.


Chegar à Cabeça da Azinha foi o dever cumprido, é.... Espetacular toda aquela vista, e mais não digo, ponham pernas a caminho e subam lá que vale bem a pena.



Cabeça da Azinha para trás era hora de impôr um ritmo mais forte em direcção a Manteigas, mas por vezes quer por força do vento, quer pelas cores que nesta altura do ano(e que são as minhas preferidas) dominam a paisagem e que me obrigavam a observar com mais calma toda aquela "pintura natural" tinha de abrandar o ritmo




A passagem pelo posto de vigia de S.Lourenço marcava outro ponto de grande beleza, e poucos minutos depois tambem a 1ª distração na leitura do GPS que me custou um engano no percurso em bem mais de 30mim, até retomar novamente o trilho depois de ter tentado apanhar novamente a rota noutro local, mas sem sucesso dada a morfologia do terreno para azar meu.




Já em Manteigas e com este contratempo tive de abortar a subida ao Poço do Inferno para depois descer a Verdelhos por ai, tomei então a estrada nacional em direcção a Vale de Amoreira onde parei para beber uma agua das pedras. Em Vale Amoreira outro elemento se juntou a mim "O Frio" pois ja tinha trocado de roupa na chegada à Azinha e a que tinha vestida estava toda molhada, o sol já não se fazia sentir e a sensação frio era cada vez maior, mas a subida de Verdelhos até ao Alto S.Gião deu para aquecer e de que maneira, contudo tive de controlar muito bem o andamento pois o equipamento molhado juntando o frio não ajudaram em nada as pernas que começavam a dar sinais de rotura





Cheguei a casa no limite da luz solar,com 89km e 6h a pedalar com 2300m ac+, mas com a certeza de ter cumprido um objectivo, sofri porque quis e gostei,ri-me sozinho, pensei...pensei... e enchi a cabeça de AR PURO, e de trilhos pintados de cores espetaculares.

E muitos dos meus Amigos perguntam: Epá sozinho??!! e se aconteçe algo??!!

Épa quando morrer vou deitado, não vou em cima da "Flausina"


Bons Empenos

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Mestre



Desde há muito tempo que o "Mestre" Vítor Gamito, é para mim uma referência no ciclismo, quer quando subia como nenhum outro a nossa encosta rumo à Torre, onde corri muitos metros apoiando-o, quer pela sua inovação nos métodos de treino e analise informática dos mesmos, revolucionando o contra-relógio em Portugal.


No ano 2000 logo a seguir ao cruzamento para o antigo Santos Pinto, arranca decidido e só pára na Torre para vestir a amarela que tanto perseguia, eu estava no Sanatório e foi uma demonstração de classe e poder a forma com que pedalava serra acima.


Com a vinda do "Mestre" à nossa cidade para participar na II Rota do Teixo, pude pedalar finalmente lado a lado com o Mestre Gamito. Na terça-feira 5 Outubro às 8h30 lá estava na Srªdo Carmo para junto com o Bruno Fernandes, Paulo Jesus o levar-mos aos nossos trilhos.
Da Srªdo Carmo fomos em direcção a Orjais, pois o Homem queria era subir subir... conversando enquanto pedalava-mos, pois mal começamos a subir de Orjais em direcção ao Alto Aldeia Souto, ligou a válvula e até logo... apenas o Bruno lhe consegui cheirar a roda.

O Mestre continua com uma pedalada harmoniosa, poderosa, em grande demonstração de classe em cima da bicicleta.
Restou-me apreciar durante pouco mais que 2 minutos aquela sincronia entre Homem e Máquina, e depois abortei a rota e virei em direcção ao Posto Vigia do Alto S.Gião, que subindo por Orjais é digno de um Belo Empeno...

Bons Empenos

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

De regresso....

Muito Boas Amigos

Pois foi Amigos, sem duvida que abortei os relatos aqui no Trilhos e Empenos, após a minha participação no Geo Raid, mas a data da II Rota do Teixo aproximava-se e o tempo parecia não chegar para tratar de todos os assuntos, para que no dia do evento tudo pudesse estar ok, ou quase... faltou a reunião com o S.Pedro

Pelo meio deste período de silêncio, estive na Maratona X100 Castelo Branco, III Maratona BTTGardunha, e sempre que a minha vida o permite treino, não com a regularidade e tempo duração que desejaría, pois o pequeno Mário requisita os meus serviços sem avisar e muitas vezes tenho de alterar tudo, mas tambem ele tudo merece.

Em 1989, com o meu Amigo João Rato iniciei-me no mundo do ciclismo estrada, muitos km´s percorri e muito me ensinou, até que em 1994 sofri uma grave queda na curva do parque meredas, e afastei-me da bicicleta. Mas o "vicío" sempre ficou cá dentro e quando decidi que estava na hora de voltar às bicicletas o BTT por "estar na moda" foi a primeira opção, mas... a estrada têm um significado muito especial para mim e não resisti...



Desde aquela altura (90,91) muito evoluiram as máquinas estrada, e quando saí a primeira vez com a "Branquinha" foi como que aprender tudo novamente, e se já subia com a "Flausina" ao Alto S.Gião com alguma leveza, a primeira vez que subi com a "Branquinha" quando lá cheguei acima as pernas tremiam, com a "Branquinha" aqui a conversa é outra....

Bons Empenos





segunda-feira, 12 de julho de 2010

Geo Raid Serra da Estrela 2010


Seguramente que os amantes do BTT já ouviram falar do Geo-Raid, (para quem ainda não sabe bem o que significa passem em http://www.geo-raid.com/ e vejam),e, desde a minha participação "clandestina" na edição do ano passado que me ficou cá uma coisa daquelas no estômago... e me fez preparar a mente e o corpo para participar na edição deste ano.


Faltava apenas propor este desafio a um aventureiro para alinhar à partida comigo, pois é uma aventura por equipas de 2 elementos, onde tem de permanecer sempre juntos até ao final, com a orientação do percurso a ser efectuada através de GPS, e com várias regras a terem de ser cumpridas.


O Sérgio Madeira aceitou de imediato o desafio e tudo começou a ser preparado, para esta longa e dura jornada que nos levou a percorrer dos locais mais recônditos do maciço central da nossa "Estrela" e onde eu nunca tinha pensado ir de bicicleta, levando-nos a Videmonte,Linhares, Folgosinho, Santinha, Penhas Douradas, numa etapa que só no Sábado teve mais de 4000m acumulado em 116km, e onde as temperaturas estiveram sempre acima dos 35º

Sabíamos que não iria ser nada fácil, e apenas um objectivo estava traçado, terminar em cima da bicicleta. O Geo-Raid é acima de tudo um teste às capacidades físicas e mentais, onde se vive um espírito completamente diferente do que estava habituado nos passeios e maratonas onde participo aqui e ali.

No Geo-Raid existe uma comunidade de Betetistas , onde todos somos os mais fortes e de um momento para o outro passamos a ser completamente impotentes para sentar no selim e conseguir dar uma única pedalada, a exigência física deste desafio não perdoa nem aos melhores e todos em algum momento pensaram em desistir.

Mas existe sempre uma palavra vinda de alguém que passa por nós e que de repente nos lembra-mos de lhe ter dado também uma palavra de animo kms atrás quando passamos por ele e estava em dificuldades, existe no Geo-Raid um objectivo comum, chegar ao final, esta é sem duvida a grande vitória de todos os participantes.


Seriam muitas linhas de texto para relatar esta aventura de 116km, apenas saliento que tive um verdadeiro colega de equipa e mais que um colega de equipa foi um verdadeiro AMIGO que nunca permitiu que eu desistisse, Muito Obrigado Sérgio pro ano lá estaremos novamente.


Já nos 18km finais na subida de Manteigas para as Penhas Saúde, foi ele que psicologicamente me levou até lá acima, pois as forças já não existiam mas as suas palavras a encorajarem valeram por 1000 barras e assim conseguimos terminar os 116km da mais dura etapa de sempre da Geo-Raid Series alguma vez organizada.


A etapa de Domingo seriam mais 84km com cerca de 2500m acumulado, apesar dos problemas técnicos na Flausina que ficou sem travão da frente a 25km do final, decidimos que dada a condição fisica em que nos encontravamos não estaríamos minimamente em condições de alinhar na etapa de Domingo, fica já traçado o objectivo para a edição 2011, acabar os 2 dias.
Mais de metade das equipas não acabou os dois dias, e muitas foram as que desistiram no Sabado, e outras tantas só chegou um elemento...



E Fica a questão... Vale a pena tanto sofrimento ?






É claro que vale, enquanto crescermos como Seres Humanos.



Bons Empenos